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Dialética





Cintia Godoy lança o livro “Ecofeminismo crítico justicia y ética interespecies” no Brasil

10/09/2021

Cintia Aparecida de Godoy é mãe, irmã, cozinheira de mão-cheia, contadora de histórias. Atualmente reside e contribui para a Fundação Findhorn, no norte da Escócia. É doutora pela União Europeia em Estudos Interdisciplinares de Gênero, especialista em Direitos Humanos e da Mulher, especialista em Violência Doméstica e de Gênero, palestrante internacional, professora, física, advogada, autora do texto de indicação e criação da Secretaria da Mulher do Município de São Vicente - SP/Brasil, criadora e fomentadora de assentamentos humanos regenerativos, e cofundadora e codesigner do Instituto Biorregional do Cerrado - ICB.

Seu livro “Ecofeminismo crítico justicia y ética interespecies” nos convida a revisitar alguns aspetos, momentos e narrativas históricas criadas de forma a justificar privilégios de uma desproporcionada elite em detrimento de uma imensa maioria de seres que simplesmente não têm escolha nem acesso a tais privilégios. Narrativa essa que responsabiliza os “perdedores” por seu fracasso moral e dignifica os “vencedores” por sua supremacia mental, capacidade de acúmulo e de exploração dos recursos disponíveis.

Por meio do questionamento sobre como essas narrativas se sedimentaram e perpassam a ordem dos tempos, transfigurando-se e ajustando-se a distintos momentos históricos, tornou-se evidente que a história do dominador, em seu delírio de poder, tergiversou a razão, desapropriando-lhe radicalmente dos elementos vitais e corpóreos que compõem, necessariamente, a realidade tridimensional material.

O convite feito no livro diz respeito ao questionamento de tais narrativas e ao resgate da dignidade humana e do mundo que nos cerca, realocando elementos, como mente e ética, para reconhecer figuras intencionais e racionais na natureza e, portanto, atribuir-lhe valor moral e ético. Da mesma forma, busca relocalizar a mente como parte integrante do mundo natural, rompendo com a hiperseparação primordial que extirpou o ser racional, público e produtivo da natureza, e esta última dos mundos etéreo e divino da mente.

Ressignificar tais narrativas tem demonstrado inúmeros benefícios na hora de encontrar soluções para nosso atual caos social e natural, especialmente no que diz respeito à organização e ao empoderamento da sociedade civil que, juntamente com o poder público, encontram novas formas de criar políticas públicas mais inclusivas e democráticas de fato. (Trecho retirado da descrição do livro)

 

Elaborada por Sebastian Freudenthal, a capa do livro é uma homenagem ao cerrado brasileiro, com a gomeira, as araras e o pôr do sol marcando o solo. É também uma referência temporal à grande conjunção de Saturno e Júpiter, marcando um novo ciclo. O punho rompendo as correntes carregam também grande significado, junto às cores presentes que sinalizam alerta na natureza. Na contracapa há um casulo simbolizando a transformação e o renascimento, e uma aranha, uma das poucas espécies que sobreviveram apesar de tudo.

Em entrevista, Cintia traz mais alguns detalhes sobre seu livro, além de contar sobre sua experiência na publicação de sua tese:

 

Como começou a sua jornada na escrita e na pesquisa?

 

Cintia Godoy: Na jornada da vida... na escola, na universidade, em cartas. Quando jovenzinha preferia escrever a falar, pois sabia que assim me expressava bem melhor.

 

Qual a parte mais fácil da pesquisa para você e qual o maior desafio?

 

Cintia Godoy: Pergunta complicada… costumo dizer que uma tese a gente nunca termina, a gente desiste…(risos). O mais fácil foi começar, as portas se abriram pra mim na Espanha, em Portugal, mesmo na Escócia… lugares onde criei vínculos – aquariana na casa 4 (risos). Muitas pessoas descreveram dificuldades para serem aceitas, para homologarem os estudos etc. Muitas vozes desencorajadoras… Para mim, porém, toda esta parte foi bem fácil… o mais difícil, talvez, tenha sido escrever, em nível acadêmico, em Espanhol… tive que só me dedicar a este idioma e ignorar o Português, por um tempo… as similaridades entre os dois idiomas não me ajudaram muito na hora de escrever, pelo contrário.

 

Qual é a sensação de ter a sua pesquisa publicada como um livro?

 

Cintia Godoy: É uma conquista, uma grande alegria! Tinha a intenção de publicar no Brasil há algum tempo, mas sempre outras prioridades surgiam. Quando recebi o convite da Dialética, fiquei muito contente, uma feliz manifestação. Os feedbacks estão sendo positivos e inspiradores, estou bem contente!

 

Quais foram as inspirações para escrever sobre o feminismo ecológico?

Cintia Godoy: Diversas… Ser brasileira, latina; uma delas, com certeza… não é pura casualidade que a “misoginia latina” é tão famosa… a (falta de) relação com a natureza, esta hiperseparçao, as consequências do colonialismo e da escravidão, com que temos que lidar diariamente em contextos como o nosso, brasileiro, latino americano… e, sobretudo, o sonho, o desejo de entender como desfazer esses nós culturais que nos atam, tão apertadamente, a uma cultura opressiva, abusiva, como se isso fosse “normal”… essa cultura dos “quem pode manda; quem tem juízo, obedece” e por aí segue.

 

Quais autores/obras guiaram a sua pesquisa?

Cintia Godoy: Val Plumwood, obviamente… ela configura entre as 50 personalidades mais importantes dentro do ambientalismo, ao lado de figuras como Arne Naess, Gandhi, entre outros grandes nomes, mas não obteve a mesma representatividade que estes… ela foi, também, uma das pioneiras no que se denomina hoje “ética ambiental”… além de Vandana Shiva, o próprio Naess; as precursoras da Teoria do Cuidado, como Carol Gilligan, por exemplo, a Teoria Crítica, como o colonialismo, alguns utilitaristas, como Jeremy Bentham, por exemplo, que são considerados como os que abriram campo para as futuras discussões sobre os direitos animais, a Dra. Cristina Becker, uma das maiores especialistas em Direitos dos Animais, portuguesa (já falecida) com quem tive o grande privilégio de trabalhar e publicar junto… entre outros como Tom Regan e etc.

 

Quais áreas do conhecimento são contempladas pelo seu livro?

Cintia Godoy: Ética e justiça ambiental, como se nota já no título, as teorias feministas, em especial as relacionadas com o ambientalismo, o colonialismo, os direitos humanos e das mulheres, a ética ambiental, a filosofia e a história.

 

A quais estudiosos ele pode se destinar?

Cintia Godoy: Trata-se de um estudo transdisciplinar, portanto, diz respeito a diversas áreas de investigação e ativismo também. 

 

Quais as suas expectativas para o livro? Podemos esperar uma continuação dos estudos na área? Talvez uma segunda edição?

Cintia Godoy: Minhas expectativas são não ter expectativas! Com certeza, outros livros virão, estou no processo de elaboração de outros dois que espero publicar no ano que vem. Espero também que fomente muitas conversas, desconstruções de paradigmas e apoio para que possamos discutir, elaborar, cocriar realidades melhores, mais sustentáveis e harmônicas, não apenas para o ser humano, mas para o planeta.

Como foi a sua experiência de publicação com a Editora Dialética?

Cintia Godoy: Foi bem interessante. Fiquei bem contente com o convite da Dialética… já havia tempos que eu queria publicar no Brasil, mas não tinha rolado, ainda… esse convite veio numa excelente hora e pretendo publicar mais com vocês… super obrigada!

 

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Por Ana Souza


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